(Foto retirada do Link que o Tchègoun Oladjide enviou a interessada)
A vítima desta vez foi moçambicana, uma repórter que se fez passar por alguém que precisava de um empréstimo internacional urgente com objectivo de aumentar o volume do seu negócio. “ Se está a procura de um empréstimo urgente com baixo juros. Inbox- me”, escreve frequentemente Maria Tavares em várias páginas de redes sociais e apresenta‑se como “agente financeiro” do Banco Atlântico da República de Benin.
Em Outubro último, a repórter entrou em contacto com a Tavares que lhe facultou o seu correio eletrônico para facilitar o processo de negociação.
Logo na troca do primeiro correio eletrônico, Tavares procurou aliciar a interessada ao afirmar que “Devo lhe informar que eu estou a fazer um empréstimo para uma taxa de juros de 2% e, de acordo com a duração de reembolso que você quer.”
Em seguida, a “agente financeira” informou a interessada que faz parte do Banco Atlântico ( Banque Atlantique) de Benín e, falou da existência do senhor Tchègoun Oladjide, o “mediador de empréstimo”, que segundo ela é também membro do mesmo banco.
Para dar mais credibilidade a negociação, momentos depois a interessada recebeu dois correios eletrônicos do banco com o formulário para empréstimo. O lógotipo do banco em um dos correios eletrônicos aspira confiança a nova "cliente".
Sem poupar forças e garantir um “golpe de mestre” e conquistar de uma vez a confiança, Tavares afirmou que “Se você tem um Facebook, tente enviar um pedido de amizade para perfil
Tchègoun
Oladjide, isso nos permitirá conhecer-te melhor assim, seremos capazes de realizar um inquérito completo sobre você”.
A REGRA DO JOGO PARA O GOLPE
(Foto
retirada de uma conta do Tchègoun Oladjide nas redes sociais)
A repórter seguiu a orientação da “agente”. Curiosamente, o perfil do “mediador” é muito atrativo: um homem que aspira sinceridade pois em várias fotógrafias apresenta- se vestido de maneira formal e em grandes encontros de negócios.
Em conversa com a interessada, como aperitivo, o “mediador” fala do banco Atlântico, envia o link da instituição e ainda faculta o seu “número” telefônico e o da Tavares e ainda fala da sua intenção de instalar uma agência em Moçambique.
Tudo indica que Oladjide também conhece a regra do jogo. Numa primeira fase conversa com a interessada como quem queira de facto disponibilizar o empréstimo. como todo o agente bancário, levanta uma ficha completa da pessoa. Em seguida fala de uma taxa de inscrição no valor de 4.300.00 Meticais (sem contar com a taxa de transferência bancária) para Benín. Explicou que depois de efetuar a taxa de inscrição, o banco enviaria um contrato de empréstimo e os fundos desejados estariam na conta da "cliente"
depois de 72 horas. A repórter, seguiu a orientação e fez a transferência. Em seguida, o banco Atlântico enviou o contrato com as assinaturas de Maria Tavares e Rubio-Guerta Michele Lea, este último identificado como advogado e, ainda solicitou assinatura da interessada.
A repórter assinou e reenviou mas, surpreendentemente recebeu uma nova orientação do banco que dava conta de que ela deveria pagar 17.000.00 Meticais que serviriam para o pagamento do seguro do dinheiro emprestado e que no final da liquidação da dívida este valor seria-lhe reembolsado. Curiosamente, este termo não estava estabelecido no contrato.
Ela por sua vez, procurou revendicar o cumprimento das cláusulas do contrato mas, a Tavares com as técnicas de sedução ao cliente, fez lhe entender que seria a melhor coisa a faz pois mais uma vez haveria uma assinatura do contrato de seguro e, acrescentou que ”actualmente o fundo tem mais dinheiro para a assistência aos clientes. Portanto, eu vou pessoalmente ajudar a pagar uma parcela, mas como você não é o único cliente a precisar de uma ajudar, comprometo-me a pagar 5.000.00Mts. Então você pagará o restante”. Mais uma vez afirmou que em 72 horas os fundos estariam na conta da cliente. Novamente, a repórter enviou o dinheiro e assinou o contrato. Como as surpresas são o forte destes “agentes” do banco, o “mediador” surpreendeu a interessada ao informar que a sua pasta para transferência atrasou pelo que devia pagar 4.300.00 Meticais pelo processo para que os fundos sejam activados e aquele seria o último processo. Novamente a repórter enviou o valor.
Curiosamente, em seguida o banco Atlântico enviou o seguinte correio eletrônico “a Comunidade dos Estados da África Ocidental em 2010, acusou a Sra. Tavares com o caso BOKO HARAM. Portanto, você tem que efectuar o pagamento dos custos de seguros para o banco do oeste assim tera os fundos na sua conta bancária”.
Já em mês de Dezembro último, os fundos não tinham sido enviados. Tudo indica que a propaganda da senhora Tavares era enganosa pois, o empréstimo estava à passo de camaleão manco. Depois desta informação bombástica do banco, o “mediador” voltou a interagir com a interessada como o salvador da negociação e explicou que seria necessário o envio de 14000 Meticais para salvaguardar o empréstimo. A repórter mais uma vez volta a transferir os fundos mas, surpreendentemente o banco novamente informou que “Você vai esperar até 2016 para obtenção de fundos. Mas se você deseja os valores pelo banco de cidental ou Moneygram, então tem que nos enviar os custos da transferência do seu empréstimo por Western ou Moneygram”.
O tempo foi alastrando-se, e cada vez mais claro que a propaganda da Tavares é falsa, nada é urgente pois já é Janeiro. Com os vários apelos do banco, Tavares e Oladjide, a interessada efectou mais uma vez o pagamento de 5.000.00 Meticais para obter os fundos. Como sempre o dinheiro não lhe foi enviado apenas o “mediador” deu-lhe um contacto do Banco Popular (Banque Populaire) que segundo ele trabalhava em cooperação com a senhora Tavares para que deste modo a transferência do empréstimo internacional fosse possível mas, este último logo de imediato disse que a sra Tavares foi penalizada por fazer empréstimos internacional mais do que permetido. curiosamente o Banco Atlântico voltou a entrar em contacto e informou a Tavares disponibilizaria 75% do valor prometido para o empréstimo mas, que a interessada devia pagar um valor pela transferência.
FIM DO JOGO: GOLPE FEITO
Desta vez a " cliente" pediu cancelar o empréstimo tendo em conta que o “mediador” disse que poderia desistir do empréstimo e ainda teria o reembolso dos valores outrora transferidos a Benin. Ao optar pela desistência foi-lhe obrigada mais uma vez a pagar 1.300.00 Meticais. O banco Atlântico e o Oladjide prometem retornar a soma de 39 300 Meticais enviados a Benin no mesmo dia. Minutos depois, a verdade vem atona, o Oladjide bloqueia o contacto com a interessada nas redes sociais e não respondeu mais aos correios eletrônicos, por sua vez Tavares e o Banco Atlântico também ficam no silêncio. Está claro são burladores organizados em esquemas que podem estar ligados ao banco.
Diariamente, surgem pessoas que necessitam de empréstimos urgentes e na mesma porporção surgem os burladores. Os burlões, vêem nas pessoas interessadas em obter um empréstimo entre particulares, um bom mercado para actuarem, pois regra geral, estas pessoas atravessam dificuldades financeiras, não têm acesso a crédito nas instituições financeiras normais, e em muitos casos, estão em uma situação dedesespero, o que as leva a recorrer a este tipo de financiamento.
Lápssia Mathe