quarta-feira, 25 de julho de 2018

EM MAPUTO: IBAVET CONTA COM UM MINI ZOO PARA A PRESERVAÇÃO DOS ANIMAIS



Os zoológicos deixaram de ser apenas locais de diversão, para se tornarem centros de educação ambiental e pesquisa. Actualmente, a IBAVET, empresa de prestação de serviços na área de veterinária, conta com um mini zoológico, na cidade de Matola, que tem um papel fundamental na preservação de espécies como o crocodilo, a cobra e o macaco.

André Nhambire médico veterinário da IBAVET a firma que a esta empresa é uma associação das veterinárias Isabel e Adelina criada por volta dos anos 1992. Numa primeira fase, ela apenas prestava os serviços clínicos, com o tempo houve a necessidade de expandir-se o negócio, pelo que, a clínica passou a uma empresa que para além de prestar de serviços veterinários, apostou na criação de um mini zoológico ou simplesmente zoo da IBAVET que proporciona um espaço seguro e interessante para a família, além de disponibilizar uma fábrica de ração e venda de pintos, bar e locais de actividades interactivas como piscina e jogo de neca para as crianças.
Nhambire afirma que o mini Zoo é um local específico para se manter animais selvagens e domésticos, que podem ser exibidos ao público. O Zoo conta com profissionais especializados, como veterinários e zootecnistas, que cuidam da alimentação, das jaulas, da saúde mental e física dos animais, entre muitas outras atividades.
DIFFICULDADES DO ZOO
Para Nhambire, a maior dificuldade para aumentar o mini zoo é o espaço, visto que há uma a necessidade de aumentar se as espécies de animais mas a falta de espaço constitui uma grande barreira. «Gostaríamos de aumentar mais espécies mas não há espaço. As pessoas procuram os nossos serviços principalmente aos finais de semana onde os pais trazem os seus filhos. Temos também visitas de estudos de crianças das escolas. Recebemos todos os tipos de clientes desde crianças aos adultos de diversas nacionalidades. As crianças têm preferência pelos macacos e cobras e os adultos pelos crocodilos. Nós apenas comercializamos os pintos e a ração. Os animais que temos no mini zoo fomos doados pelas fábricas e algumas famílias. Temos recebido mais doações de cobras. O bar que disponibilizamos ao público não perturba o ambiente dos animais do mini zoo pois estes estão em lugares separados», conta Nhambire
HISTÓRICO DO ZOO
Numa primeira fase essas recriações da IBAVET eram apenas para os clientes da empresa mas com o tempo viu-se a necessidade de dar-se a oportunidade as pessoas que também apreciavam essas inovações que a empresa proporcionava mas que não fossem clientes daquela instituição.  
Refere ainda que o zoo tem vários objectivos, dentre os quais estão a pesquisa, a preservação e a educação, pelo que procura proteger os animais em vez de explorá-los. O zoológico educa as pessoas fazendo-as conhecer os animais e as ameaças que eles enfrentam, assim proporciona aos visitantes a oportunidade de desenvolver uma aproximação com os animais domésticos como o cão e a galinha assim como os selvagens ao exemplo de crocodilo e a cobra. Para se ter o acesso ao zoo o público deve pagar um valor simbólico de 50 meticais o qual é usado na manutenção daquela recriação do habitat natural.
Nhambire diz que estas visitas aos animais coloca-los em uma boa posição para educar o público sobre questões de preservação. A colecção de animais vivos fascina os visitantes, e os torna mais receptivos e lembrar-se de mensagens de preservação que ouvirem durante a visita. O zoo é uma reprodução do habitat natural do animal, pelo que, e as jaulas, viveiros e tanques são mais espaçosos, têm as árvores ao redor para aumentar o bem-estar do animal e sensibilizar o visitante sobre comportamento e meio ambiente.
 MOTIVAÇÃO
Muitas vezes os zoológicos são criticados pelas pessoas que acreditam ser errado manter animais presos em cativeiro, mas Nhambire argumenta que os zoológicos podem ajudar na preservação dos mesmos embora deslocados de seus ecossistemas naturais. A medicina veterinária é uma das muitas áreas do conhecimento ligada à manutenção e restauração da saúde animal.
Texto : Lápssia Mathe
Fotos: Internet



quinta-feira, 19 de julho de 2018

Infância infectada e afectada pelo HIV/SIDA



 Moçambique é um dos países onde 50% da população é composta por crianças. As crianças acabam sendo as mais afectadas de forma directa e indirectas pelo HIV/SIDA”, diz Elena Colonna, especializada na sociologia da Infância.

Todos os dias, Lúcia Macamo (nome fictício), acorda pelas manhãs para tomar as suas vitaminas (forma como a mãe Paula refere os antirretrovirais). Lúcia Macamo só tem apenas cinco anos e é seropositiva. «Ela não é culpada por ter essa doença. Foi negligência minha. Comecei a namorar com 15 anos e tinha preferência pelos homens mais velhos, alguns casados, pois davam-me dinheiro para comprar roupas, lanches, passeios e ainda me levavam de carro para casa. Na altura eu estava na oitava classe e estudava no curso nocturno numa das escolas públicas da cidade capital. O meu rendimento escolar era baixo pois não me dava tempo para rever a matéria em casa. Só pensava em namorar. Namorava com vários homens ao mesmo tempo. Não sei quem me contaminou. Praticava o sexo com todos eles muitas vezes sem o uso do preservativo. Aos 18 anos descobri que estava grávida. Pela inexperiência, só fui ao hospital quando tinha seis pela insistência da minha mãe. Onde descobri que estava contaminada. Meses depois tive conhecimento que a minha bebé também contraiu o SIDA», conta Paula.
Com um olhar amargurado, refere que não é fácil viver com esta doença, principalmente ter uma filha, ainda muita nova a enfrentar o dilema de viver com o SIDA. Paula revela que não contou a filha sobre a doença que carrega. Acredita que ela é muito nova para entender o que significa ter essa doença. Revela ainda que Lúcia Macamo pensa que os antirretrovirais são vitaminas que ajudam no crescimento de uma criança. Afirma que apesar do pai da Lúcia Macamo ser um homem casado tem apoiado as duas a enfrentar esse dilema.

No mundo actual, o uso de preservativo nas relações poderia significar uma prova de amor e protecção para com o outro. Mas observa-se que muitas jovens abrem mão do preservativo por medo de serem abandonadas ou maltratadas por seus parceiros. Por outro lado, o facto de estar apaixonado faz com que o jovem crie uma imagem falsa de segurança, negando os riscos inerentes ao não uso do preservativo.
Por sua vez, Ana Júlio (Nome fictício), com 11 anos é uma das várias crianças existentes em Moçambique afectadas pelo vírus do HIV/SIDA. Ela não é seropositiva mas sofre consequências pela existência dessa doença na família. Vive apenas com a mãe, Cátia, (Nome fictício) que é seropositiva. Cátia considera a Ana Júlio o seu braço forte. Afirma que Ana Júlio mensalmente é que enfrenta a fila do hospital para fazer o levantamento dos medicamentos enquanto ela vai ao serviço. Afirma ainda que é empregada doméstica no entanto, diz não cozinhar para família na qual trabalha. Revela que desde que descobriu a doença dificilmente aceita cozinhar mesmo na sua própria casa. A considera que a Ana Júlio é a dona das panelas da sua casa, a que controla os medicamentos a que mais cuida das duas.

«Falar com a minha filha sobre essa doença não foi fácil. Descobri que estava infectada há três anos. Ana Júlio é a minha única filha e a minha única família em Moçambique. Quando separei-me do pai, ela ainda era bebé. Minha mãe faleceu há cinco anos e o meu único irmão vive na Africa do Sul. Ana Júlio teve conhecimento que estou doente há dois anos. Demorei contar pois fiquei com medo que ela rejeitasse-me. Mas para minha surpresa ela apoiou-me,» conta Cátia.
Para Elena Colonna, existem famílias que preferem informar a criança que é seropositiva e outras preferem ocultar e alegando o consumo diário dos medicamentos a existência de uma outra doença ou o facto de ser vitamina para crescer. Do ponto de vista sociológico essa atitude por um lado está associada a faixa etária da criança. Se a criança for um pouco mais velha, nesse caso adolescente, é mais fácil explicar comparativamente a uma criança muito nova. Por outro lado existe a questão da discriminação pela comunidade em relação aos infectados e afectados pelo HIV/SIDA.
Colonna diz que a decisão de informar a criança sobre o seu estado de saúde depende do balanço que os pais ou responsáveis da mesma fazem em relação as vantagens ou desvantagem que lhe possam afectar.

Estigma e Discriminação

Viver com uma doença séria, estigmatizada é stressante e difícil. As pessoas com HIV/SIDA, podem se deparar com a rejeição social ou até mesmo das pessoas mais próximas como amigos e familiares. Muitas vezes o estigma e a discriminação têm levado as pessoas infectadas e afectadas pelo vírus a perder seus empregos, suas relações amorosas até mesmo serem expulsas do meio social em que vivem.
«A maioria das pessoas não entendem que os doentes precisam de apoio, carinho para que possam ter uma boa recuperação. Já tentei contar para uma minha amiga sobre a doença da minha mãe. E, ela começou a dizer que eu também estava doente como minha mãe. Disse que não queria brincar mais comigo pois eu tinha uma doença mortal e contagiosa. Eu e minha mãe sempre vivemos em casas arrendadas. Quando as pessoas começam a falar mal de nós por causa da doença. Nós mudamos do bairro de imediato», Conta Ana Júlio.
Cátia afirma que o maior problema das pessoas infectadas e afectadas é a discriminação e o estigma.   
Por causa do estigma associado com o HIV/SIDA, muitas vezes é difícil falar com as outras pessoas sobre o diagnóstico da doença, principalmente com as pessoas com quem possivelmente pode-se desenvolver algum tipo de relacionamento sexual ou afectico, com medo de ser rejeitada, refere Cátia.
«Tenho mais apoio da minha família e do pai da minha filha. Essas são as únicas pessoas que sabem que eu e a Lúcia estamos infectadas. Tenho medo de contar às demais pessoas pois não sei qual será a recção delas. Já ouvi casos de pessoas infectadas e afectadas a ser expulsas dos bairros ou até mesmo rejeitados pelos namorados. Não quero passar por essas coisas. E nem quero que a minha filha seja proibida de brincar com as crianças do bairro pelo facto de ser uma serepositiva», desabafa Paula.
 Para Elena Colonna a discriminação é devido ao fraco conhecimento das reais formas de contaminação por parte das comunidades. A transmissão do vírus acontece principalmente pela via sexual ou, através do sangue por meio de uma ferida aberta em contacto muito forte com uma outra ferida também aberta. O que é muito difícil nas situações normais da vida quotidiana. Mas as pessoas ficam com medo de aproximarem-se das pessoas infectadas ou até mesmo das pessoas afectadas alegando que serão contaminadas por isso acabam discriminando as mesmas. Por outro lado o HIV/SIDA é associado ao estigma, onde a pessoa portadora do vírus é vista como sendo a culpada. O que muitas vezes não se aplicada a situações em que a criança tenha contraído o vírus na gestão através da mãe.
Texto: Lápssia Mathe
Foto: Internet

Maputo: Ensaia Primeiros Casos de Prostituição Masculina


 Maputo, a capital do País está a registar, os primeiros casos de prostituição masculina, fenómeno novo que desafia os sectores mais conservadores da sociedade moçambicana, no contexto da globalização.

Tal como acontece nas grandes metrópoles, Moçambique regista, na actualidade, os primeiros sinais de prostituição masculina, para além da tradicional prostituição feminina, tida como a profissão mais velha do mundo.
Os primeiros sinais de puberdade, em especial o aparecimento da barba, o desenvolvimento do físico atlético, segundo Eugénio Bilirio, são alguns dos atractivos usados na sedução das clientes, geralmente mulheres vividas, mas senhoras do seu “nariz”.

Ao contrário da prostituição feminina, que envolve mulheres e homens, os primeiros como provedores de serviços de sexo e os segundos, como clientes, a prostituição masculina tem nos homens, os provedores de serviço de sexo por encomenda a clientes-mulheres, geralmente carentes, entre viúvas e/ou mal casadas, geralmente coim uma vida financeira folgada..
Eugénio Bilirio é um jovem estudante da Faculdade de Engenharia da Universidade Eduardo Mondlane residente no município da Matola que nas suas horas livres dedica-se à profissão “Ad-Hoc” de “trabalhador de sexo”, na óptica da agência das Nações Unidas para o combate ao HIV/SIDA – UNAIDS.

Eugénio Bilírio, entrevistado pela GenderLinks Moçambique, disse que se prostituía por falta de dinheiro. Explicou que teve de interromper os seus estudos por falta de dinheiro para financiar os seus estudos, tendo encontrado na sua prostituição a forma de retomar os estudos porque já pode pagar pelo seu bolso, a faculdade.
“Tive conhecimento do trabalho de prostituição através de um amigo que conhecia a minha débil condição financeira. Falou-me desta actividade de vender os serviços sexuais e levou-me ao lugar onde tal é praticado. Na hora não me interessou, confessa-se Bilírio, mas como a minha situação financeira foi apertando, não tive saída, acabei por entrar neste mundo o ano passado…” – ajuntou a nossa fonte, para revelar de seguida que ele faz parte de um grupo de 4 jovens prostitutos da Matola.
 Para a prática das actividades sexuais, a mesma fonte precisou que “…temos um lugar para a prática das actividades sexuais de forma comercial, na Matola, nas cercanias do antigo Cinema 700, hoje Auditório Municipal da Matola que é usado como prostíbulo, além de hotéis e pensões contra o pagamento ao facilitador do espaço no valor de 2.000Mts/Mês.


O preço da actividade sexual depende muito da negociação entre o provedor de serviços e a interessada ou cliente. Porém a tarifa mínima praticada é de 400 Meticais por coito.
O tempo da satisfação vária de mulher para mulher mas, Eugénio Bilírio, confessa que gasta uma hora e meia a satisfazer sexualmente a sua cliente ocasional.
“… A minha namorada e os meus familiares não sabem que sou prostituto, apenas sabem que sou explicador das disciplinas de matemática e física…”- esclareceu o nosso entrevistado.
Como todo fornecedor-emergente de serviços que deseja fazer-se conhecer e conquistar novos clientes, Bilirio criou e publicou um anúncio sobre os serviços que presta as mulheres carentes, nas redes sociais, segundo ele, o anúncio está a receber o devido retorno, pois a carteira de clientes está em crescendo.

Bilirio não esclareceu se usa ou não o preservativo, nas suas relações sexuais com as suas clientes.
As mulheres, trabalhadoras de sexo, praticam a sua actividade de determinados pontos das cidades de Maputo e Matola, já conhecidas.
Contrariamente, os prostitutos, ou trabalhadores de sexo, ainda trabalham às escondidas ou seja, de forma discreta em Maputo.
Para o Sociólogo Baltazar Muianga, a prostituição Masculina não é algo novo em Maputo, talvez seja agora mais visível.
A influência dos amigos ou a influência da globalização, através dos meios de comunicação social, nomeadamente, a televisão, podem ser uma das causas que levam os jovens a enveredar pela prostituição masculina.
A prostituição, de uma forma geral, é uma forma que os jovens encontraram de ganhar dinheiro ou bens materiais, como sejam; roupas e outros presentes em troca de favores sexuais.
A prostituição masculina é hoje um comportamento normal que se explica sobre tudo pela liberdade e orientação sexual- acrescentou Muianga 
Ainda para o sociólogo, a história da prostituição masculina remonta dos primórdios da prostituição feminina.
Apesar da prostituição em Moçambique encontrar-se associada a época colonial, esta actividade ainda é socialmente considerada uma prática vergonhosa e ainda sem lei judicial que protege os prostitutos contra as agressões físicas por parte de alguns clientes.

A prostituição é no entanto reprovada em diversas sociedades por ser considerada contra a moral dominante, a principal disseminadora de doenças sexualmente transmissíveis e pelo impacto negativo que tem na estrutura familiar.
Na sociedade moçambicana, as prostitutas são vistas como mulheres que ferrem a dignidade e a integridade da mulher “padrão”, pelo que, quando identificadas os seus praticantes nos bairros residenciais, estas são automaticamente discriminadas, desprezadas, sendo a suja punição, o seu isolamento na comunidade e na família, a perda de amigos, situação que piora quando se trata da prostituição masculina.
A existência de uma prostituição masculina em Maputo pode significar que tanto as mulheres como os homens precisam de favores sexuais, no entendimento do sociólogo Muianga, ainda que seja para um escape biológico.
Texto: Lápssia Mathe
 Foto: Internet

Motivação