quinta-feira, 19 de julho de 2018

Maputo: Ensaia Primeiros Casos de Prostituição Masculina


 Maputo, a capital do País está a registar, os primeiros casos de prostituição masculina, fenómeno novo que desafia os sectores mais conservadores da sociedade moçambicana, no contexto da globalização.

Tal como acontece nas grandes metrópoles, Moçambique regista, na actualidade, os primeiros sinais de prostituição masculina, para além da tradicional prostituição feminina, tida como a profissão mais velha do mundo.
Os primeiros sinais de puberdade, em especial o aparecimento da barba, o desenvolvimento do físico atlético, segundo Eugénio Bilirio, são alguns dos atractivos usados na sedução das clientes, geralmente mulheres vividas, mas senhoras do seu “nariz”.

Ao contrário da prostituição feminina, que envolve mulheres e homens, os primeiros como provedores de serviços de sexo e os segundos, como clientes, a prostituição masculina tem nos homens, os provedores de serviço de sexo por encomenda a clientes-mulheres, geralmente carentes, entre viúvas e/ou mal casadas, geralmente coim uma vida financeira folgada..
Eugénio Bilirio é um jovem estudante da Faculdade de Engenharia da Universidade Eduardo Mondlane residente no município da Matola que nas suas horas livres dedica-se à profissão “Ad-Hoc” de “trabalhador de sexo”, na óptica da agência das Nações Unidas para o combate ao HIV/SIDA – UNAIDS.

Eugénio Bilírio, entrevistado pela GenderLinks Moçambique, disse que se prostituía por falta de dinheiro. Explicou que teve de interromper os seus estudos por falta de dinheiro para financiar os seus estudos, tendo encontrado na sua prostituição a forma de retomar os estudos porque já pode pagar pelo seu bolso, a faculdade.
“Tive conhecimento do trabalho de prostituição através de um amigo que conhecia a minha débil condição financeira. Falou-me desta actividade de vender os serviços sexuais e levou-me ao lugar onde tal é praticado. Na hora não me interessou, confessa-se Bilírio, mas como a minha situação financeira foi apertando, não tive saída, acabei por entrar neste mundo o ano passado…” – ajuntou a nossa fonte, para revelar de seguida que ele faz parte de um grupo de 4 jovens prostitutos da Matola.
 Para a prática das actividades sexuais, a mesma fonte precisou que “…temos um lugar para a prática das actividades sexuais de forma comercial, na Matola, nas cercanias do antigo Cinema 700, hoje Auditório Municipal da Matola que é usado como prostíbulo, além de hotéis e pensões contra o pagamento ao facilitador do espaço no valor de 2.000Mts/Mês.


O preço da actividade sexual depende muito da negociação entre o provedor de serviços e a interessada ou cliente. Porém a tarifa mínima praticada é de 400 Meticais por coito.
O tempo da satisfação vária de mulher para mulher mas, Eugénio Bilírio, confessa que gasta uma hora e meia a satisfazer sexualmente a sua cliente ocasional.
“… A minha namorada e os meus familiares não sabem que sou prostituto, apenas sabem que sou explicador das disciplinas de matemática e física…”- esclareceu o nosso entrevistado.
Como todo fornecedor-emergente de serviços que deseja fazer-se conhecer e conquistar novos clientes, Bilirio criou e publicou um anúncio sobre os serviços que presta as mulheres carentes, nas redes sociais, segundo ele, o anúncio está a receber o devido retorno, pois a carteira de clientes está em crescendo.

Bilirio não esclareceu se usa ou não o preservativo, nas suas relações sexuais com as suas clientes.
As mulheres, trabalhadoras de sexo, praticam a sua actividade de determinados pontos das cidades de Maputo e Matola, já conhecidas.
Contrariamente, os prostitutos, ou trabalhadores de sexo, ainda trabalham às escondidas ou seja, de forma discreta em Maputo.
Para o Sociólogo Baltazar Muianga, a prostituição Masculina não é algo novo em Maputo, talvez seja agora mais visível.
A influência dos amigos ou a influência da globalização, através dos meios de comunicação social, nomeadamente, a televisão, podem ser uma das causas que levam os jovens a enveredar pela prostituição masculina.
A prostituição, de uma forma geral, é uma forma que os jovens encontraram de ganhar dinheiro ou bens materiais, como sejam; roupas e outros presentes em troca de favores sexuais.
A prostituição masculina é hoje um comportamento normal que se explica sobre tudo pela liberdade e orientação sexual- acrescentou Muianga 
Ainda para o sociólogo, a história da prostituição masculina remonta dos primórdios da prostituição feminina.
Apesar da prostituição em Moçambique encontrar-se associada a época colonial, esta actividade ainda é socialmente considerada uma prática vergonhosa e ainda sem lei judicial que protege os prostitutos contra as agressões físicas por parte de alguns clientes.

A prostituição é no entanto reprovada em diversas sociedades por ser considerada contra a moral dominante, a principal disseminadora de doenças sexualmente transmissíveis e pelo impacto negativo que tem na estrutura familiar.
Na sociedade moçambicana, as prostitutas são vistas como mulheres que ferrem a dignidade e a integridade da mulher “padrão”, pelo que, quando identificadas os seus praticantes nos bairros residenciais, estas são automaticamente discriminadas, desprezadas, sendo a suja punição, o seu isolamento na comunidade e na família, a perda de amigos, situação que piora quando se trata da prostituição masculina.
A existência de uma prostituição masculina em Maputo pode significar que tanto as mulheres como os homens precisam de favores sexuais, no entendimento do sociólogo Muianga, ainda que seja para um escape biológico.
Texto: Lápssia Mathe
 Foto: Internet

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