Tal como acontece nas grandes metrópoles, Moçambique regista,
na actualidade, os primeiros sinais de prostituição masculina, para além da
tradicional prostituição feminina, tida como a profissão mais velha do mundo.
Os primeiros sinais de puberdade, em especial o aparecimento
da barba, o desenvolvimento do físico atlético, segundo Eugénio Bilirio, são alguns
dos atractivos usados na sedução das clientes, geralmente mulheres vividas, mas
senhoras do seu “nariz”.
Ao contrário da prostituição feminina, que envolve mulheres
e homens, os primeiros como provedores de serviços de sexo e os segundos, como
clientes, a prostituição masculina tem nos homens, os provedores de serviço de
sexo por encomenda a clientes-mulheres, geralmente carentes, entre viúvas e/ou
mal casadas, geralmente coim uma vida financeira folgada..
Eugénio Bilirio é um jovem estudante da Faculdade de
Engenharia da Universidade Eduardo Mondlane residente no município da Matola
que nas suas horas livres dedica-se à profissão “Ad-Hoc” de “trabalhador de
sexo”, na óptica da agência das Nações Unidas para o combate ao HIV/SIDA –
UNAIDS.
Eugénio Bilírio, entrevistado pela GenderLinks Moçambique,
disse que se prostituía por falta de dinheiro. Explicou que teve de interromper
os seus estudos por falta de dinheiro para financiar os seus estudos, tendo
encontrado na sua prostituição a forma de retomar os estudos porque já pode
pagar pelo seu bolso, a faculdade.
“Tive conhecimento do trabalho de prostituição através de um
amigo que conhecia a minha débil condição financeira. Falou-me desta actividade
de vender os serviços sexuais e levou-me ao lugar onde tal é praticado. Na hora
não me interessou, confessa-se Bilírio, mas como a minha situação financeira
foi apertando, não tive saída, acabei por entrar neste mundo o ano passado…” –
ajuntou a nossa fonte, para revelar de seguida que ele faz parte de um grupo de
4 jovens prostitutos da Matola.
Para a prática das
actividades sexuais, a mesma fonte precisou que “…temos um lugar para a prática
das actividades sexuais de forma comercial, na Matola, nas cercanias do antigo
Cinema 700, hoje Auditório Municipal da Matola que é usado como prostíbulo,
além de hotéis e pensões contra o pagamento ao facilitador do espaço no valor
de 2.000Mts/Mês.
O preço da actividade sexual depende muito da negociação entre o provedor de serviços e a interessada ou cliente. Porém a tarifa mínima praticada é de 400 Meticais por coito.
O tempo da satisfação vária de mulher para mulher mas, Eugénio
Bilírio, confessa que gasta uma hora e meia a satisfazer sexualmente a sua
cliente ocasional.
“… A minha namorada e os meus familiares não sabem que sou
prostituto, apenas sabem que sou explicador das disciplinas de matemática e
física…”- esclareceu o nosso entrevistado.
Como todo fornecedor-emergente de serviços que deseja
fazer-se conhecer e conquistar novos clientes, Bilirio criou e publicou um
anúncio sobre os serviços que presta as mulheres carentes, nas redes sociais,
segundo ele, o anúncio está a receber o devido retorno, pois a carteira de
clientes está em crescendo.
Bilirio não esclareceu se usa ou não o preservativo, nas suas relações sexuais com as suas clientes.
As mulheres, trabalhadoras de sexo, praticam a sua
actividade de determinados pontos das cidades de Maputo e Matola, já conhecidas.
Contrariamente, os prostitutos, ou trabalhadores de sexo,
ainda trabalham às escondidas ou seja, de forma discreta em Maputo.
Para o Sociólogo Baltazar Muianga, a prostituição Masculina
não é algo novo em Maputo, talvez seja agora mais visível.
A influência dos amigos ou a influência da globalização,
através dos meios de comunicação social, nomeadamente, a televisão, podem ser
uma das causas que levam os jovens a enveredar pela prostituição masculina.
A prostituição, de uma forma geral, é uma forma que os
jovens encontraram de ganhar dinheiro ou bens materiais, como sejam; roupas e outros
presentes em troca de favores sexuais.
A prostituição masculina é hoje um comportamento normal que
se explica sobre tudo pela liberdade e orientação sexual- acrescentou
Muianga
Ainda para o sociólogo, a história da prostituição masculina
remonta dos primórdios da prostituição
feminina.
Apesar da prostituição em Moçambique encontrar-se associada
a época colonial, esta actividade ainda é socialmente considerada uma prática
vergonhosa e ainda sem lei judicial que protege os prostitutos contra as
agressões físicas por parte de alguns clientes.
A prostituição é no entanto reprovada em diversas sociedades por ser considerada contra a moral
dominante, a principal disseminadora de doenças sexualmente transmissíveis e pelo
impacto negativo que tem na estrutura familiar.
Na sociedade moçambicana, as prostitutas são vistas como
mulheres que ferrem a dignidade e a integridade da mulher “padrão”, pelo que,
quando identificadas os seus praticantes nos bairros residenciais, estas são
automaticamente discriminadas, desprezadas, sendo a suja punição, o seu
isolamento na comunidade e na família, a perda de amigos, situação que piora
quando se trata da prostituição masculina.
A existência de uma prostituição masculina em Maputo pode
significar que tanto as mulheres como os homens precisam de favores sexuais, no
entendimento do sociólogo Muianga, ainda que seja para um escape biológico.
Texto: Lápssia Mathe
Foto: Internet
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