A capulana tradicionalmente é concebida para o uso exclusivo da mulher e considerada uma riqueza cultural, caracterizada por diversas cores, desenho e estampas actualmente, ela tem quebrado a concepção tradicional, invadindo as passarelas e definindo o seu espaço no mundo da moda. Esse tecido único e típico conquistou vários admirados do mundo musical a destacar: Stewart Sukuma, Mingas e Neyma até figuras políticas: Helena Taipo e Ivone Soares, o que motiva vários estilistas moçambicanos apostarem cada vez mais nessa textura.
Para a estilista
moçambicana, Taússe Daniel, a arte de transformar a capulana em peças únicas a
destacar, as saias e vestidos para as mulheres e os casacos para os homens, virou uma tendência no mundo da moda,
graças a eventos como Mozambique Fashion
Week (MFW), que promovem este precioso tecido, para além das figuras
públicas nacionais, aos exemplos dos músicos
Stewart Sukuma, Mingas e Neyma, ainda personalidade internacionais a destacar:
a Beyoncé e Rihanna que foram fotografadas com roupas feitas com esse tecido.
Taússe acredita que, “essa nova concepção de olhar-se para a
capulana como um tecido, que também pode desfilar em grandes eventos é
positiva, tendo em conta que ela é uma marca do país para o mundo”.
Em 2009, Taússe Daniel conquistou o prémio de Young Design no evento de moda, Mozambique Fashion Week, para além de cria colecções de roupas e acessórios que, exercem uma
forte influência sobre a maneira como as pessoas devem vestirem-se, é arquitecta
e urbanista.
Taússe Daniel afirmou que apenas usa as roupas de
capulana em eventos especiais a destacar, o desfile de moda, o lobolo e o
casamento e, referiu que fornece roupa para as províncias de Beira e Inhambane
ainda para países como, Angola, Portugal e Brasil para além de ter feito algumas
roupaspara figuras públicas como a antiga governadora da cidade de Maputo, Luciana
Hama e a cantora Marleny.
Diferente da Taússe
Daniel, para estilista moçambicana Síria Salvânia as roupas de capulana fazem
parte do seu dia-a-dia pois, é a forma que ela encontrou para valorizá-la.
Síria
Salvânia acredita que na capulana há uma forma diferente de vestir, não apenas
pelo que ela significa para a sociedade moçambicana mas, pelo facto de ela ser
algo novo para o mundo da moda.
Na sua opinião com a globalização a capulana começou a
perder terreno para as calças, saias e vestidos de gala importados mas,
ultimamente, as mulheres começam a perceber que é possível vestir todos os
estilos de roupa, aproveitando ricamente a beleza única desse tecido. A
capulana é um símbolo para os moçambicanos, para Síria
Salvânia,
criar roupas baseadas nela é uma das formas de preservá-la.
A capulana é um tecido colorido que as mulheres moçambicanas vestem em vários momentos da vida e, para
Síria Salvânia, ela não seria mais do que um tecido comum se não fossem os
lindos desenhos estampados nela, que são verdadeiras obras de arte e o grande
significado que ela tem para o povo moçambicano.
Precipita-se quem pensa que a capulana é apenas procurada por mulheres pois, Síria
Salvânia garantiu que os homens também já estão nessa competição.
Síria Salvânia concorda com a Taússe Daniel ao firmar que as mulheres
procuram mais por vestidos e saias e os homens por casacos de capulana.
Custos da valorização da Capulana
Engana-se quem pensa que mandar fazer roupas de
capulana é algo acessível, Taússe Daniel, revelou que já criou um vestido de
casamento de capulana com detalhes de pérola em uma semana e, cobrou 30 mil
meticais ainda acrescentou que, um vestido simples com esse tecido cultural
cobra no mínimo cinco mil meticais. Síria Salvânia afirmou que também já
produziu um vestido de casamento com detalhes de capulana em uma semana e,
cobrou 25 mil meticais ainda referiu que, cobra no mínimo três mil meticais
para um vestido simples com esse tecido.
«Criar uma
obra única, por mais simples que seja, não é uma tarefa fácil. Geralmente o
cliente propõe o modelo da roupa que pretende mas, sempre tenho que fazer a
minha proposta de acordo com o evento. Conto com ajuda de seis colaboradores e
tenho uma loja em Maputo. No ano passado levei a capulana para um evento de
moda na Itália que foi muito bem recebida», justificou Taússe Daniel.
Para Síria Salvânia toda obra de arte bem
trabalhada, por mais simples que seja, tem o seu valor, afirmou que compra a
capulana emMaputo e os trabalha com mais oito pessoas, acrescentou que com acapulana
pode-se também fazer cobertores, toalhas de mesas e ainda cortinas para janelas.
Síria Salvânia
tem actualmente 34 anos, cresceu num ambiente de linha e agulha pois, a sua mãe
é uma modista de profissão, com quem aprendeu essa arte de corte e costura. Em
2005 viajou para as terras lusas, onde fez o curso de decoração e, segundo ela
usava muita costura para a criação de roupas das cadeiras e mesas. Em 2013
regressou a terra natal onde, retomou a arte de trabalhar com o tecido.
Diferente da mãe apostou em criar trabalhos de sua autoria e tornou-se dessa
forma em uma estilista. Diferente da Taússe Daniel, ela afirmou que nunca
vestiu alguma figura pública e ainda, não participou em algum evento de moda
mas fornece roupas para Portugal. Para
a criação das suas roupas, as duas estilistas afirmaram
que apostam na capulana mais resistente para as suas criações saiam da melhor
forma.
Origens
da Capulana
A Capulana representa hoje a roupa africana, mas é herança das relações
comerciais que se estabeleceram com os povos asiáticos e árabes, posteriormente
a chegada dos europeus. A origem do uso ainda é incerta. O comércio colonial em
Moçambique tinha como moeda de troca o ouro e o marfim, em contrapartida, os
comerciantes estrangeiros traziam o pano (Índia) principalmente no período
colonial português. Foi nesse processo de troca que o tecido, trazido da Índia,
tornou-se uma vestimenta importante na cultura moçambicana.
A Capulana, com os diferentes usos quotidianos tornou-se em um adereço
tradicional, adquiriu diversos significados ao longo do tempo e que de tal
maneiras tornou-se um elemento de representação cultural. Ela representa hoje,
através de suas cores, usos e estampas, a nação, grupos distintos e transmite
os vários significados dos hábitos e costumes do povo moçambicano.
As mulheres enrolam a capulana na cintura,
fazendo, deste modo, o papel de saia. Pode-se também cobrir o tronco ou qualquer
outra parte do corpo, isso, vária de localidade para localidade, ou vontade
mesmo da pessoa. Algumas mulheres usam a capulana para carregar seu bebé em
segurança nas costas, enquanto realizam outras tarefas.
Texto:
Lápssia Mathe
Fotos:
Internet



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