segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Dança de Salão atrai Adeptos em Moçambique



17h:30mim até perto das (20 horas) é horário reservado para atletas da AADD estar em acção e praticar as suas habilidades. Para o treinador Ademã Chaúque da AADD, a dança desportiva é uma manifestação corporal humano. Chaúque defendeu que dançar significa expressar emoções, uma forma de relacionar-se consigo e com os outros, para além de envolver outras expressões artísticas aos exemplos da música e o teatro.
O treinador explicou que a dança desportiva chegou em Moçambique através da professora moçambicana Ilda Djabo que residiu por muito tempo na África do Sul e, pelos contactos que teve com essa modalidade, quando regressou a terra natal em 2008 teve a iniciativa de implementar essa expressão corporal.
Chaúque contou que “Fui um dos primeiros formados pela professora no Centro de Pesquisa Coreográfico em 2008. Actualmente sou treinador dessa modalidade. Danço há 12 anos antes de praticar essa modalidade, fazia a dança contemporânea uma expressão artística que surgiu na década de 60 como uma forma de rompimento com a cultura clássica”.
 A dança desportiva é composta por dez danças de salão divididas em duas categorias nomeadamente as latinas que se subdividem em Samba, Chá-Chá-Chá, Rumba, Paso doble e Jive – e as clássicas – Valsa inglesa, Valsa vienense, Tango, Slow-fox e Quick-step.
Conhecida como uma modalidade de dança que engloba vários ritmos, a Dança Desportiva é uma actividade praticada por pessoas de ambos os sexos, de todas as idades e níveis sociais. Associação está aberta para o público a partir dos quatro anos em diante. O treinador explicou que a criança com essa idade pode praticar essa modalidade visto que, já tem a capacidade de fazer movimentos corporais mais precisos. Chaúque firmou que a AADD é até então a conta com mais de 25 membros e acrescentou que os atletas moçambicanos,já participaram em diversas competição fora do país a destacar: Lesotho, Botswana, Swazilândia e ainda aqui em Moçambique no campeonato da dança desportiva realizado no ano passado. Para a prática da modalidade o treinador disse que cada atleta contribui com um valor simbólico de 600 a 800 Meticais de acordo com os dias da prática dessa modalidade, em média ensaia-se três vezes por semana das 17horas:30minitos às 19horas:30minutos. Chaúquereferiu que apenas os mais destacados são escolhidos para participar dos campeonatos e acrescentou que «quando participamos em campeonatos não saímos de mãos abanados sempre conseguimos a primeira ou a segunda posição».
Pode-se encontrar ritmos moçambicanos na dança desportiva?
Chaúque respondeu que essa expressão corporal está em constante evolução, desde os passos às músicas das diferentes danças.Como forma de representar a cultura do país, sendo essa uma característica da dança, o treinador afirmou que a AADD tem procurado sempre fazer uma fusão dos diferentes ritmos da dança desportiva com os compassos musicais da cultura moçambicana, ao exemplo do bailado "Niketche", baseado no livro da escritora moçambicana Paulina Chiziane criado pela AADD.
 Para enfatizar ainda mais a ideia de que é possível encontrar ritmos moçambicanos na Dança Desportiva, Chaúque explicou que no Samba pode-se encontrar tempos musicais de Marrabenta e por isso que, por vezes a AADD faz uma fusão desses ritmos deste modo cria, o Samba na Marrabenta e vice-versa mas essa mistura só é possível, segundo Chaúque quando se fez um trabalho de pesquisa.

«Tenho 31anos estou a terminar a minha licenciatura na área de engenheira eletrónica. Apesar de ser discriminado pela sociedade por dançar não como um hobby mas como uma profissão, não desisto da dança pois ela é o meu futebol. Sou feliz por mexer o corpo», disse.

Para escolha do par de dança, o treinador explicou que não seleciona para ninguém a parceira que cada pessoa deve optar para dançar visto que a dança é também uma de expressar os sentimentos sendo que onde há insatisfação a mesma não se realiza com perfeição.
Chaúque disse que a pessoa pode bailar com diversos parceiros que achar necessário até encontrar o parceiro ideal ou seja o par com o qual se identifica e o faz flutuar no encanto da dança.
Os atletas Calisto Muchanga e Tenise Mondlane com mais de metade de uma década, na estrada da dança desportiva, já tiveram vários parceiros de dança mas, só no ano passado descobriram que têm grande afinidade na dança pelo que, nos princípios do ano em curso decidiram formar um casal de dança. Tudo leva a crer que os dois amantes da dança desportiva estão a ter uma boa conexão pois em cada encruzilhada do baile revelam que a beldade da dança está assente na harmonia perfeita do par.
Calisto Muchanga de 25 anos, disse que a dança está presente em diversos momentos da vida do homem o que se evidencia desde muito cedo quando a criança sente a necessidade de mover-se e expressar espontaneamente através do movimento corporal pelo que na sua opinião, há uma necessidade de implementar-se a dança no curriculum escolar nacional visto que ela também pode ser uma forma de educar as crianças.

«Na procura de uma actividade de feiras, há sete anos, apaixonei-mepela dança, desde então não parei mais.Já participei em diversos campeonatos em vários países a destacar: Lesotho e Swalândia e sempre conquistei a primeira ou segunda posição. Para além de dançar estou a estudarinformática, no Instituto de Transporte e Comunicação», disse.
TeniseMondlane, de 20 anos, atleta dessa modalidade há seis anos contou que «apaixonei me pela dança na procura de uma actividade desportiva por questões de saúde, nunca fui discriminada por dançar. Já participei em diversos campeonatos em vários países a destacar: Lesotho e Swazilandia e sempre conquistei a primeira ou segunda posição. Estou a fazer licenciatura na área de tecnologia biométrica laboratorial ou seja, é um curso de laboratório em análise clínica».
Chaúque, Muchanga e Mondlane afirmaram que procuram organizar as suas actividades laborais para que a dança não influencie negativamente nos seus estudos.
 Eco do surgimento da modalidade
Importa referir que a dança de salão surgiu entre o século XVII e o início do seculo XIX, inicialmente entre as classes mais altas da sociedade que participavam de eventos e bailes. Entre os seculos XIX e XX, esse bailado tornou-se popular. A partir de 1909 realizou-se diversos campeonatos mundiais em torno dessa modalidade.

Texto: Lápssia Mathe

Fotos: Atletas de ADDA

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