quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Quando a homossexualidade é uma "anomalia",
e a liberdade da escolha de orientação sexual um direito


Apesar dos estudos contemporâneos contradizerem a antiga teoria de que ser gay ou lésbica era fruto de desordens ou deficiências psicológicas, a homossexualidade é ainda considerada uma "anomalia", na sociedade moçambicana. 

Para Danilo da Silva, Director Executivo da Lambda (uma organização de cidadãos moçambicanos que advogam pelo reconhecimento dos Direitos Humanos das pessoas LGBT -lésbicas, gays, bissexuais e transexuais) a questão da homossexualidade na sociedade moçambicana é considerada ainda um tabu pois, cidadãos homossexuais são vistas ao nível da comunidade como pessoas doentes e marginais, que não têm nenhum contributo à sociedade, ao nível político, não têm uma lei inclusiva que os protege, pelo que, por muitas vezes são discriminados. O motiva da discriminação segundo Danilo, é o desconhecimento para além, da forma como a sociedade encarra à minoria.
Quanto as pessoas que não assumem a sua orientação sexual, Danilo referiu que assumir ou não é uma escolha pessoal e, a Lambda apoia as pessoas a encarrar da melhor forma a situação, mas, não interfere na decisão de assumir a sua orientação sexual.
Moçambique é muito diferente de alguns países em que os homossexuais são atacados e agredidos pela sociedade e, isto, significa que a nossa sociedade respeita-os, o que é positivo. Para sensibilizar a sociedade, a Lambda incentiva as pessoas a investigar sobre o tema de maneira a encarrar a homossexualidade de uma forma positiva e, ainda tem promovido eventos, em que, os convidados não são apenas as pessoas LGBT, com o objectivo de fazer entender que os mesmos são pessoas normais apesar da sua orientação sexual
«Desde aos 12 anos gosto de homens mas, até aos 20 anos escondia essa minha inclinação sexual porque sabia que seria discriminado. Na tentativa de enquadra-me e não sofrer a preensão social por ser um homossexual, no tempo em que estive no armário, tentei relacionar-me com diversas pessoas do sexo oposto, mas, não foram relações felizes», Contou.
 Actualmnte Danilo da Silva vive há cinco anos com o seu parceiro e, afirmou que tem uma relação conjugal normal como a de qualquer casal e, revelou que não pretendia ter filhos.

Nicoel (nome legítimo Nicolas- homossexual) foi nomeada a miss extravagância 2014 pela Lambda, disse que assumiu a sua orientação sexual aos 19 anos, como consequência, viu-se obrigado a abandonar o seio familiar devido as perturbações que passou a enfrentar.
Apesar de não estar a coabitar com a sua família a Nicoel continua a lutar para manter os laços familiares através das visitas que frequentemente tem feito aos seus familiares. Actualmente está sem namorado.
Por sua vez, Joana Alberto mais conhecida por Jó, afirmou que assumiu a sua orientação homossexual aos 21 anos. Assim como a Nicoel passou a ter uma relação conturbada com a família.
«Vivo actualmente com os meus pais e levo a minha namorada para casa sem problema algum. Estou numa relação solida de três anos. Hoje em dia a minha mãe é amiga da minha namorada. Estamos a construir a nossa casa pois pretendemos viver juntos», Disse.

Vozes populares em torno da Homossexualidade na sociedade em Moçambique

Para Alice Sitoe, residente na cidade de Maputo a homossexaulidade é algo de anormal. «Não estou a favor. O homem deve casar-se com uma mulher e não com um outro homem. Os homens são poucos e ainda querem casar-se entre eles?», explicou.
Ernesto Alberto, residente também na cidade de capital, partilha da mesma opinião que Alice Sitoe mas acrescenta que há uma necessidade de respeitar-se as pessoas que têm essas tendências sexuais.
Por sua vez, Joaquim Carlos também residente na cidade das acácias, afirmou que «Se descobrir que o meu filho tem essa orientação sexual, automaticamente, deixo de ser seu pai. Se estiver a viver na minha casa mando-lhe embora».

Visão psicossocial
Para o Psicólogo Adilson Muguambe a homossexualidade ocorre na sociedade já há bastante tempo. A nossa sociedade tem uma cultura muito fechada com a tendência de guardar os bons hábitos onde, as pessoas procuram não evidenciar os seus comportamentos assim acabam escondendo-se e, não demonstram exactamente a sua verdadeira personalidade, pelo que adoptam um outro comportamento que não reflete a verdadeira personalidade. Nos últimos tempos, há uma tendência de auto-afirmação dos homossexuais.
Existem factores que contribuem para não auto-afirmação da homossexualidade, a destacar, os religiosos que logo a prior condenam os homossexuais e ainda os culturais que defendem a conservação dos bons hábitos sociais.
Muguambe referiu que a homossexualidade e a religião são dois factores bem distintos e, acredita que na igreja existam homossexuais, mas para conservar os "bons costumes", acabam por esconderem-se.
Existe uma visão que considera que o individuo já nasce com a componente biológico homossexual e, a outra que defende que, o individuo é influenciado pelo meio em que está inserido.

Embora em Moçambique as relações sexuais entre pessoas adultas do mesmo sexo, no âmbito do espaço privado e em mútuo consentimento não constituem um crime, a homossexualidade, perante os estudos feitos não seja considerada anormal, é, ainda de facto, uma coisa não tão comum como a heterossexualidade.


Malap Mathe

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