Quando a homossexualidade é uma
"anomalia",
e a liberdade da escolha de orientação sexual um
direito
Apesar dos estudos
contemporâneos contradizerem a antiga teoria de que ser gay ou lésbica era
fruto de desordens ou deficiências psicológicas, a homossexualidade é ainda
considerada uma "anomalia", na sociedade moçambicana.
Para
Danilo da Silva, Director Executivo da Lambda (uma organização de cidadãos
moçambicanos que advogam pelo reconhecimento dos Direitos Humanos das pessoas
LGBT -lésbicas, gays, bissexuais e transexuais) a questão da homossexualidade
na sociedade moçambicana é considerada ainda um tabu pois, cidadãos
homossexuais são vistas ao nível da comunidade como pessoas doentes e
marginais, que não têm nenhum contributo à sociedade, ao nível político, não
têm uma lei inclusiva que os protege, pelo que, por muitas vezes são
discriminados. O motiva da discriminação segundo Danilo, é o desconhecimento
para além, da forma como a sociedade encarra à minoria.
Quanto
as pessoas que não assumem a sua orientação sexual, Danilo referiu que assumir
ou não é uma escolha pessoal e, a Lambda apoia as pessoas a encarrar da melhor
forma a situação, mas, não interfere na decisão de assumir a sua orientação
sexual.
Moçambique
é muito diferente de alguns países em que os homossexuais são atacados e
agredidos pela sociedade e, isto, significa que a nossa sociedade respeita-os,
o que é positivo. Para sensibilizar a sociedade, a Lambda incentiva as pessoas
a investigar sobre o tema de maneira a encarrar a homossexualidade de uma forma
positiva e, ainda tem promovido eventos, em que, os convidados não são apenas
as pessoas LGBT, com o objectivo de fazer entender que os mesmos são pessoas
normais apesar da sua orientação sexual
«Desde aos 12 anos gosto de homens mas, até
aos 20 anos escondia essa minha inclinação sexual porque sabia que seria
discriminado. Na tentativa de enquadra-me e não sofrer a preensão social por
ser um homossexual, no tempo em que estive no armário, tentei relacionar-me com
diversas pessoas do sexo oposto, mas, não foram relações felizes», Contou.
Actualmnte Danilo da Silva vive há cinco anos
com o seu parceiro e, afirmou que tem uma relação conjugal normal como a de
qualquer casal e, revelou que não pretendia ter filhos.
Nicoel (nome legítimo Nicolas- homossexual)
foi nomeada a miss extravagância 2014
pela Lambda, disse que assumiu a sua orientação sexual aos 19 anos, como
consequência, viu-se obrigado a abandonar o seio familiar devido as
perturbações que passou a enfrentar.
Apesar
de não estar a coabitar com a sua família a Nicoel continua a lutar para manter
os laços familiares através das visitas que frequentemente tem feito aos seus familiares.
Actualmente está sem namorado.
Por
sua vez, Joana Alberto mais conhecida por Jó, afirmou que assumiu a sua orientação
homossexual aos 21 anos. Assim como a Nicoel passou a ter uma relação
conturbada com a família.
«Vivo actualmente com os meus pais e levo a
minha namorada para casa sem problema algum. Estou numa relação solida de três
anos. Hoje em dia a minha mãe é amiga da minha namorada. Estamos a construir a
nossa casa pois pretendemos viver juntos», Disse.
Vozes populares em torno da Homossexualidade na sociedade
em Moçambique
Para
Alice Sitoe, residente na cidade de Maputo a homossexaulidade
é algo de anormal. «Não estou a favor. O
homem deve casar-se com uma mulher e não com um outro homem. Os homens são
poucos e ainda querem casar-se entre eles?», explicou.
Ernesto
Alberto, residente também na cidade de capital, partilha da mesma opinião que
Alice Sitoe mas acrescenta que há uma necessidade de respeitar-se as pessoas
que têm essas tendências sexuais.
Por
sua vez, Joaquim Carlos também residente na cidade das acácias, afirmou que «Se descobrir que o meu filho tem essa
orientação sexual, automaticamente, deixo de ser seu pai. Se estiver a viver na
minha casa mando-lhe embora».
Visão psicossocial
Para
o Psicólogo Adilson Muguambe a homossexualidade ocorre na sociedade já há
bastante tempo. A nossa sociedade tem uma cultura muito fechada com a tendência
de guardar os bons hábitos onde, as
pessoas procuram não evidenciar os seus comportamentos assim acabam
escondendo-se e, não demonstram exactamente a sua verdadeira personalidade,
pelo que adoptam um outro comportamento que não reflete a verdadeira
personalidade. Nos últimos tempos, há uma tendência de auto-afirmação dos
homossexuais.
Existem
factores que contribuem para não auto-afirmação da homossexualidade, a
destacar, os religiosos que logo a prior condenam os homossexuais e ainda os
culturais que defendem a conservação dos bons
hábitos sociais.
Muguambe
referiu que a homossexualidade e a religião são dois factores bem distintos e,
acredita que na igreja existam homossexuais, mas para conservar os "bons
costumes", acabam por esconderem-se.
Existe
uma visão que considera que o individuo já nasce com a componente biológico
homossexual e, a outra que defende que, o individuo é influenciado pelo meio em
que está inserido.
Embora
em Moçambique as relações sexuais entre pessoas adultas do mesmo sexo, no
âmbito do espaço privado e em mútuo consentimento não constituem um crime, a
homossexualidade, perante os estudos feitos não seja considerada anormal, é,
ainda de facto, uma coisa não tão comum como a heterossexualidade.
Malap Mathe

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