Estilos que se descobrem com a Missanga
Nas mãos de Armando Machel as missangas ganham formas de cintos, bolsas,
chaveiros entre outros artigos que fazem parte principalmente da colecção do
mundo feminino. Em entrevista, esse artesão falou do uso da missanga como um adereço convencional
que diariamente procura conquistar espaço no mundo da moda.
A
missanga é uma riqueza cultural, caracterizada por diversas cores, tamanhos e
formatos que, pode ser encontrada em forma de brincos, colares, cintos,
pulseiras em diversos desfiles de moda, feiras até mesmo, com os vendedores
ambulantes.
Diariamente, com o pôr-do-sol à hora tradicional do
telejornal em Moçambique (20 horas), Armando Machel, de 35 anos, transforma o
seu quarto em um atelier onde, acama
desempenha o papel de mesa para colocar as missangas, o alicate, os fios entre
outros matérias necessários para a produção das suas obras. A partir da
tentativa da reparação de um anel de missanga que sua irmã lhe tinha oferecido
quando adolescente, há mais de 10 anos, Armando Machel disse que descobriu o seu
potencial criativo, suas habilidades em produzir artigos engraçados e
interessantes.
«Ninguém me ensinou
essa arte. Adquiri competências com a experiência. Os meus clientes na sua
maioria são estrangeiros. Não posso precisar, quantos artigos produzo
diariamente, pois, isso depende da cumplicidade do próprio trabalho, por
exemplo, para fazer apenas, uma pasta grande, levo dois dias contra duas horas
no máximo para fazer um anel», afirmou.
Em 2003, aproximadamente três anos depois de ingressar no
mundo artístico, consequentemente, ter conseguido cativar corações em
Moçambique, tendo as suas obras expostas e a venda na Mozarte e no Centro
Cultural Franco Moçambicano (CCFM), o artesão, decidi conquistar o mercado
sul-africano.
O salto à terra do rand (África do Sul) foi motivada por
diversos amigos e fazedores de artes que também têm procurado explorar outros
mercados.
Armado Machel sente-se feliz pela tentativa de explorar o
mercado da terra do Nelson Mandela, pois, acredita que conseguiu cativar os
corações dos diversos amantes dessa arte. Na sua opinião o povo sul-africano
usa mais artigos feitos ou com certos detalhes de missangas.
Onde adquiri a Missanga?
Diferente da sua terra natal, o artesão afirmou que a terra
do Jacob Zuma, possui várias lojas de especializada na venda de artigos feitos a
partir de missanga onde, ele com a sua criatividade e talento conseguiu um
espaço para expor às suas obras.
«Infelizmente em
Moçambique, apenas encontro as missangas no mercado Xipamanine, ao passo que,
na terra do rand, tenho diversas lojas para obter o material. Ainda diferente
do meu país, na África do Sul, os meus clientes na sua maioria são os próprios sul-africanos»,
desabafou.
Esse artista levou sete anos para conquistar o mercado
sul-africano. Actualmente vive em Moçambique mas, por vezes, tem viajado a
terra do rand apenas, por questões profissionais.
Na sua opinião a arte pode mudar a forma de perceber o mundo
e o comportamento das pessoas, para além de criar uma oportunidade de emprego e
renda deste modo, melhorar as suas condições de vida.
Armado Machel afirmou que cada
artigo é único e diferente na sua forma. Segundo ele, é importante produzir
obras de acordo com as exigências do mercado pois, as missangas podem também
serem tendências de moda contemporânea.
Para o artesão, a escolha do material adequado do artigo
à produzir, é o passo fundamental para que o artigo seja relacionado com as
tendências da moda actual e, ainda, produzi-lo com qualidade. Segundo o
artista, os modelos a serem produzidos são determinados pela inspiração que
tiver no momento da criatividade e, ainda, o custo das mesmas, é determinado de
acordo com material gasto, o tempo de produção, por último, a dificuldade que o
artista tem para a criação dos artigos.
«Geralmente uso as missangas mais pequenas parta criar as obras. Tenho
preferências pelas cores: preta, branca, verde, amarela e vermelha. O artigo
mais complicado que já produzi, foi uma pasta grande com detalhes da bandeira
de Moçambique que me levou dois dias e, vendi aproximadamente a 1400meticais. A
obra mais acessível, foi um anel que produzi em uma hora e meia e, vendi a 50
meticais», explicou.
Questionado
pela revista sobre a concepção geral que paira na sociedade moçambicana que, dá
conta que, o artigo “feito à mão” é até um certo ponto desinteressante devido
certos erros de produção que podem ser nele encontrado, o artista respondeu que
onde há talento, criatividade e dedicação há “perfeição”. Na sua opinião as
máquinas não dão competências mas, ela é adquirida com a experiência, com isso
repisou que não ignora a importância da tecnologia.
Armado
Machel afirmou que na sua terra natal, trabalha sozinho pois, a dimensão da
procura do seu trabalho é reduzida, comparativamente a terra do rand, onde conta
com dois ajudantes.
«Produzo artigos principalmente para as
mulheres pois, crio mais obras femininas como os brincos, carteiras, bolsas e
colares. Para os homens geralmente crio anéis, cintos e chaveiros. O negócio é
sustentável mas como sou um artista, não vivo dessa actividade apenas, sou também
um serralheiro,» afirmou.
Para
o artista o tempo não é constitui um problema pois, acredita que sabe coordenar
as suas actividades, nas primeiras horas ao por do sol, momento em que começa a
tecer as diversas obras de missanga, ele geralmente trabalha com a serralharia.
Armando
Machel lamenta o facto da missanga na sua terra natal ainda estar a ser "discriminada"
pois, segundo ele, é por muitos, considerada algo típico de curandeiros, ao
passo que, na terra do rand, a missanga é valorizada pela população da mesma
forma que na cidade das acácias consideram os artigos convencionais.
História da Missanga em
Moçambique
À semelhança da Capulana, a missanga
é uma herança das relações comerciais que se estabeleceram com os povos
asiáticos e árabes, posteriormente a chegada dos europeus. A origem do uso
ainda é incerta. O comércio colonial em Moçambique tinha como moeda de troca o
ouro e o marfim, em contrapartida, os comerciantes estrangeiros traziam
diversos artigos dentre eles, estava a missanga, com os
diferentes usos quotidianos a destacar o fabrico de bijuterias aos exemplos de
bolsas e pulseiras. A missanga diariamente procura conquistar um espaço como um
adereço convencional através do seu diferente uso.
Desde 2003 é, devido os motivos
profissionais não consegue ter um relacionamento solido pois, segundo é difícil,
encontrar a mulher que possivelmente compreenda a sua vida corrida.
Malap Mathe


Nenhum comentário:
Postar um comentário